13 de nov de 2008

Realmente viver o Reino! (paret 1)

Hoje em dia falar do Reino não traz o mesmo peso que antigamente. Isso porque muitos já falam do reino, mas será que nossa idéia de Reino, o conceito que está sendo falado realmente é o que Jesus quis dizer quando Ele tratava desse assunto? Quando Jesus citava o Reino, estava lidando com dois assuntos, o Reino de Deus de Hoje (O reino do Senhor Chegou), e o reino como será vivido na vida vindoura (a parábola do tesouro no campo). Ambos são o mesmo reino, mas é o de hoje, que trata do nosso caráter como igreja.

Quero falar do Reino de Deus vivido HOJE.

A primeira coisa que quero ver sobre o “Reino HOJE” é aquilo que deve ser evidente na vida do Cristão... ou do CIDADÃO deste reino. Vejamos o que a Bíblia diz a respeito dessas características.

Mateus 6:31-34, Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.

Mateus 7:12, Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.

Filipenses 2:1-7 Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana.

Nos textos acima, vemos algumas coisas a respeito da vida cristã no cotidiano. Vamos dar uma pausa nesse pensamento para falar das origens desse conceito de REINO que está sendo cobrado aqui. Para isto devemos voltar para o Antigo Testamento. Vejamos 1 Samuel 8. Nesse capítulo o povo de Israel pediu um rei para ser como os da sua época. A gente vê algo semelhante a isso hoje quando lemos livros de romances medievais, ou assistimos filmes como Lancelot – O Primeiro Cavalheiro (com Richard Gere e Sean Connery). No final passamos a romantizar o conceito de um reino conforme as estórias que ouvimos. Imagine Israel, ao ouvirem as lendas dos cavalheiros dos reinos ao seu redor. Contos de bravura e valentia. Quando temos contato com os retratos realçados que se destacam entre a vida dura de um súdito, o povo admira e começa a se imaginar nessa realidade e passam a almejar essa vida. Versículos 19 - 22 do capítulo 8 dizem:

Porém o povo não atendeu à voz de Samuel e disse: Não! Mas teremos um rei sobre nós. Para que sejamos também como todas as nações; o nosso rei poderá governar-nos, sair adiante de nós e fazer as nossas guerras. Ouvindo, pois, Samuel todas as palavras do povo, as repetiu perante o SENHOR. Então, o SENHOR disse a Samuel: Atende à sua voz e estabelece-lhe um rei. Samuel disse aos filhos de Israel: Volte cada um para sua cidade. No capítulo 8 de 1 Samuel, vemos o resultado do povo ao receber essa influência. Tipo hoje, as estórias das novelas da TV têm levado muitos crentes a perderem paixão pelos princípios cristãos e assumem atitudes que entristecem ao Espírito Santo. Deus então fala aos Israelitas como será a realidade ao receberem o que desejarem. Versículos 11 – 18:

E disse: Este será o direito do rei que houver de reinar sobre vós: ele tomará os vossos filhos e os empregará no serviço dos seus carros e como seus cavaleiros, para que corram adiante deles; e os porá uns por capitães de mil e capitães de cinqüenta; outros para lavrarem os seus campos e ceifarem as suas messes; e outros para fabricarem suas armas de guerra e o aparelhamento de seus carros. Tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará o melhor das vossas lavouras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais e o dará aos seus servidores. As vossas sementeiras e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais e aos seus servidores. Também tomará os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores jovens, e os vossos jumentos e os empregará no seu trabalho. Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe sereis por servos. Então, naquele dia, clamareis por causa do vosso rei que houverdes escolhido; mas o SENHOR não vos ouvirá naquele dia.

Segundo este trecho, o reino dos homens possui uma característica predominante:
O rei e os governantes vivem à custa do povo. Este padrão permeia todos os reinos e governos do mundo até o dia de hoje. Quem recebe os melhores benefícios na nossa sociedade hoje? O Presidente e os governantes. Quem paga o salário do presidente? Nós... Você. Quem paga o salário do governador, ou do prefeito, dos vereadores e servos públicos? Nós! E eles recebem os melhores benefícios. Nós trabalhamos por longas horas, dividimos o nosso salário com eles. Nós pagamos uma parte para eles toda vez que compramos, vendemos, transportamos e até usamos algo. Para usar seu carro, você paga licenciamento, para comprar o carro você paga 40% do seu valor ao governo. Para simplesmente ter um carro você paga imposto (IPVA).

Mas isto foi Deus que estabeleceu. Ele quis assim. Porque Deus quer que seja bem diferenciado o Seu reino com o nosso. Não é errado que os governantes vivem assim. Nem é causa de indignação. Nós queremos a segurança que esta sociedade nos oferece. Na época em que Jesus caminhava sobre a terra em carne, ele pregava o evangelho (Entre outros: Mateus 4:23, 9:35 – Lucas 7:22). O que ele pregava não era para que, enfim os que ouvem fossem fazer uma oração de pecador e se engressar em uma estrutura onde será orientado do que é certo e errado. No tempo em que Jesus veio ao mundo, esse jugo do reino dos homens era muito forte. Os romanos dominavam sobre a terra e qualquer cidadão romano tinha direitos sobre os demais. Por exemplo: Se um cidadão romano estivesse carregando algo, ele poderia parar qualquer pessoa que não fosse e seu direito era que aquele indivíduo carregasse o seu fardo por uma milha. Isso mesmo, o coitado teria que largar qualquer coisa que estivesse fazendo para carregar a mala do cidadão romano. Se ele tivesse seu próprio fardo, teria que largar e correr risco de perder, ser roubado, ou então sair uma milha do seu caminho carregando o seu e o dele.

Essa demonstração é apenas uma das coisas que mostram a indiferença que o povo sofria debaixo desse reino que se fazia presente no tempo de Jesus. Por isso Jesus disse “Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas”. (Mateus 5:41) O evangelho que Jesus pregava era diferente ao que nós pregamos. “Nós dizemos “Deus quer te usar” ou “Deus tem um propósito para você” ou então aceite Jesus senão vai para o inferno” – “Você sabe aonde você vai quando morrer?”– “Arrependa-se”. Embora todas estas frases sejam essencialmente corretas, esse não é o evangelho que Jesus pregou nem mesmo a sua morte e ressurreição, apesar de que nada do evangelho seria válido sem que Ele tivesse pago esse preço da morte e ressuscitado. Lucas 10:1-9 diz:

Depois disto, o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir.E lhes fez a seguinte advertência: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho. Ao entrardes numa casa, dizei antes de tudo: Paz seja nesta casa!Se houver ali um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; se não houver, ela voltará sobre vós. Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; porque digno é o trabalhador do seu salário. Não andeis a mudar de casa em casa. Quando entrardes numa cidade e ali vos receberem, comei do que vos for oferecido. Curai os enfermos que nela houver e anunciai-lhes: A vós outros está próximo o reino de Deus.

O reino de Deus está próximo! A mensagem que Jesus estava trazendo, e as boas novas a serem pregadas, se resumem na vontade de Jesus, em mudar essa condição de reino que vivemos nesse mundo. Havíamos concluído que o reino humano possui a característica principal onde o que governa vive à custa do povo; Mas Jesus estabeleceu o reino onde o povo vive à custa do Rei. Não é um conceito novo. Na verdade o povo vivia isto, mas não sabiam quão bom era. Quando tiveram fome, pão caiu do céu – quando tiveram sede no meio do deserto, água saiu da rocha – quando caminharam 40 anos no deserto suas roupas não estragavam, os calçados não gastavam. Por 40 anos eles usaram as mesmas roupas. Quando precisavam de um caminho, o mar se abria – quando precisavam de consolo a nuvem de glória se fazia presente. Eu creio que a principal razão que não vemos o poder de Deus em sinais e prodígios como antigamente, é porque não somos mais dependentes em Deus.

O Reino de Deus é um reino de poder e de total dependência Nele. Quando falo isto às pessoas me perguntam – você não acha que é por falta de fé? – Eu creio que precisamos ter fé. Mas não é apenas isso. Às vezes, a gente tem fé no que Deus pode fazer, mas ainda estamos muito dependentes em nós mesmos. Não falta fé em Seu poder. Falta-nos confiança em Seu amor. Acreditar e confiar são duas coisas diferentes, já usei esse exemplo antes, mas vou repetir: você pode levar seu carro para o mecânico para trocar tudo relacionado ao freio. Suponha que o mecânico troca os cilindros e o cilindro ‘mestre’, todos os fluidos, as pastilhas, os discos, os cabos e os demais componentes. Você sabe que, quando está tudo novinho, o freio funcionará. Nada aconteceu ainda para desgastar ou diminuir a capacidade do freio realizar a sua função. Se você estiver descendo o morro, você sabe que, na hora em que você apertar o freio, o carro irá parar. Isto é fé, acreditar... Eu sei que vai parar, quando eu pisar... Porém a falta de confiança nos leva a engatar a primeira marcha.

“Eu sei que Deus pode todas as coisas... mas eu quero ter certeza que será do jeito que eu quero, portanto, não confio que Ele fará do meu jeito”. Este pensamento, e esta atitude é o que levou Israel a perder as demonstrações do poder de Deus. Eu creio que é por isso que não vemos o poder de Deus em nosso século como já vimos. Vivemos em um tempo onde o reino de Deus não serve para nós, somos auto-suficientes. Isto nos leva a pensar em outra falha no reino hoje. Não no Reino de Deus, e sim no reino que criamos, e pensamos ser o de Deus, pois no REINO de Deus não há falha alguma, nós é que falhamos com o Reino. Deus quer que sejamos interdependentes e não auto-suficientes. Muitas vezes, somos enfrentados com as falhas dos outros e pensamos que talvez fosse melhor não ter que lidar com os defeitos e os problemas de outros, porém quando Deus nos criou, Ele havia dito que tudo era muito bom, mas ao criar o homem, a primeira observação negativa que Ele fez, onde Ele disse “isto não é bom” foi em Gênesis 2:18: Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.

Deus estabeleceu desde o princípio que viveríamos assim como Ele, em uma comunhão perpétua. Quando nos separamos de tudo e de todos (senão para praticar por um período, a disciplina da solitude) e vivemos isolados, não desfrutamos e nem usufruímos dos benefícios que necessitamos propostos pela comunidade e a condição social provenientes às famílias e grupos que se cuidam uns dos outros. Toda a lei Mosaica é voltada a manter a comunhão entre o povo de Israel com Deus. O Novo Testamento aprofunda mais ainda nessa realidade. A oração de Jesus no jardim das oliveiras nos revela que a vontade única que Ele teve em oferecer sua vida, era obedecer ao Pai, e unificar o povo para que o Pai, em Jesus, fosse glorificado.

Vejamos a sua oração:
João 17:13-26 Mas, agora, vou para junto de ti e isto falo no mundo para que eles tenham o meu gozo completo em si mesmos. Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou. Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e também estes compreenderam que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.

O problema é que, em meio a essa igreja que Jesus plantou, vemos poucos vestígios desta unidade, buscado com fervor por Jesus. Quando vejo a igreja hoje, não consigo enxergar a unidade que valeu a morte de Jesus. Eu sei que existe, mas está muito bem escondido em meio a fofoqueiros e egoístas que fazem “a obra” por interesse própria, e que estão vendo o evangelho como algo lucrativo (e de fato é) e não como o sonho do Filho de Deus, um sonho por qual Ele deu sua vida. Jesus não deu a sua vida para construir a igreja com pedras e edifícios, foi para estabelecer unidade. Foi para que os irmãos se incomodassem para a unidade do povo. Esta unidade também é relativa, estar todos juntos em prédios para aprender as mesmas canções não é ser unido, abraçar a mesma filosofia evangélica não significa “estar unido”. Nem é ser da mesma linha teológica, ou da mesma denominação. Na verdade, vemos tanta desunião e tanta indiferença na igreja hoje, se pergunta: Porque Jesus voltaria por isto? Ele morreria por isto que nos tornamos?

Quando eu leio essa oração de João 17, eu fico tomado por uma urgência para convocar aos irmãos a saírem de suas estruturas que são tão grandes e belas e majestosas, que nos tampam as vistas e nos impedem a enxergar a simplicidade e a beleza daquilo que Deus nos deu ao enviar Seu Filho. É como a cidade capital com seus prédios altos e robustos, eu ainda penso que o pôr do sol e o horizonte natural, sem os prédios eram muito mais lindos. Por mais que sejamos impressionados com as estruturas, elas nos roubam algo que nosso coração almeja o puro prazer da unidade do povo, em Jesus. É por isto que abraço esta passagem em Colossenses 3:1-3: Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. E Filipenses 2:1-2 quando diz: Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Na verdade, você não deve ser o beneficiário da sua vida conforme o reino. As bênçãos em sua vida serão fruto de outras pessoas ao seu redor, quando vivem verdadeiramente a vontade de Cristo. Quando eu era moço, por volta do 14 anos de idade, eu pensava que eu queria ser um filósofo de certa forma, queria colocar princípios que pudessem ser estabelecidos e que, pessoas poderiam melhorar seu estilo de vida por abraçar estes princípios. Eu não havia percebido que Cristo, não por filosofia, já havia feito isto. Até hoje eu gosto de frases filosóficas, não são a palavra de Deus, mas se abraçamos a palavra de Deus ao fazer isto à gente poderá usar estas frases para manter na memória e na consciência alguns desses princípios. Um dos conceitos que eu escrevi naquele tempo tem haver com esse assunto de hoje:

“Um bom amigo é um que, se esforça para ser tão amigo, que sua contraparte não terá que fazer o mesmo esforço; Assim, se ambos são bons amigos, terão uma amizade perfeita.”

“Eu não creio que somos perfeitos, mas podemos ter perfeitos relacionamentos se compensarmos a imperfeição uns dos outros”. Este princípio se traduz em todo meio de relacionamento. Por exemplo: Um bom professor é um que faz um grande esforço para ensinar; assim seus alunos não terão que se esforçar tanto para aprender. Um bom aluno é um que se esforça tanto para aprender; assim o professor não terá que fazer o mesmo esforço para ensinar. Se ambos abraçar este princípio, a experiência de ensinar e aprender de ambos será prazeroso e fantástico. Então você pensa: ‘isso é ruim para aqueles que são os únicos que se esforçam em seu meio de convívio’. De fato o ideal seria todos se esforçarem, então a sociedade terá heróis por não serem egoístas e aos poucos mais e mais pessoas se esforçarão. Chega de filosofia. No meio do corpo de Cristo deve ser assim, os que possuem a consciência de se esforçar e viver o evangelho irão compensar para aqueles que são fracos. Existem aqueles que não podem esforçar, pois são fracos, esses precisam de heróis. E o Raul Seixas estava errado: Heróis não são trouxas, serão muito bem galardoados pelo Senhor.

Colossenses 3:12-25
Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor.Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura.Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor.Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão-somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor.Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens,cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo;pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas.

Deus sabe quem se esforça, não estamos nos esforçando a fim de fazer um agrado aos homens ou para subir nessa sociedade. Não existe subir, quem encontrar o seu lugar, seja de servo, seja de senhor, se encontra no lugar mais alto, com a maior recompensa. Deus não louva os que louvamos e nem honra aos que honramos. Nossa visão de altura no reino é embassada pela aprovação dos homens. O lugar de maior galardão no reino é o lugar de compensar onde os fracos faltam. Deus ama os fracos. E Deus é MUITO GRATO a quem se compadece deles. E Deus SABE MUITO BEM como mostrar gratidão. Você será muito feliz com o que Deus preparou para você se aprender a amar Jesus, assim em demonstrar amor aos fracos e aos que precisam que façamos um esforço a mais. Falo sempre da bandeja de gelo. Quando você quer encher uma bandeja de fazer gelo, com água, você não escolhe um quadrado para sempre encher por ali? Você não marca o cubículo mais importante, para sempre usá-lo ao preparar a bandeja para fazer gelo. Cada dia você coloca a bandeja da maneira mais conveniente para o momento e enche todos os cubículos usando um ou dois para transbordar aos outros (até existem cortes entre um cubículo e outro para facilitar isto). Assim como você não vê diferença em um cubículo do outro, Deus nos vê todos como iguais. É claro que temos nossas diferenças, mas temos o mesmo valor.

Assim, um dia Deus enche alguns com o dom de profecia, e estes transbordam a profecia para a igreja. Outra vez Deus derrama em outros o dom do pastoreio, e estes, por sua vez derramam o pastoreio, transbordando com os cuidados a toda igreja. Outra vez, Deus derrama dinheiro em alguns, e estes transbordam dinheiro e recursos para o restante da igreja (não estou falando sobre a estrutura, o prédio, ou a diretoria... estou falando a todos). Não gostamos de ouvir isto porque para que isto seja verdade, teremos de abrir mão dos grandes amores que cercam a vida do pecador; dinheiro, glória, reconhecimento, importância social, etc... Mas para mostrar que a bíblia REALMENTE quer dizer isto vamos ler.
Atos 2:42-47E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Eu gosto muito do seguinte trecho em luz da vida no Reino:1 Tessalonicenses 5:11-23 Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo. Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros. Exortamos-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos. Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos. Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal. O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

Tem mais, porém eu gostaria de quebrar esse texto de Tessalonicenses versículo por versículo. Desculpe-me se a minha paixão por este assunto, me causa a ser um pouco arbitrário. Quero apontar para a ausência destes traços bíblicos na vida cotidiana da tradição evangélica. “Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo”.

Um amigo meu chamado Greg Handel contou a história em uma aula de treinamento da Aliança (AIR), de uma vez que ele orou dizendo ‘Senhor, dai-me um palco e um microfone, em um estádio cheio de milhares de pessoas. Meu coração arde com a paixão de pregar o Seu evangelho, quero ver seu Espírito movendo sobre as pessoas com ondas de poder, e quero ver as pessoas impactadas com sua presença’. Ele disse que a resposta foi clara, e para colocá-la em palavras, Deus o respondeu com o seguinte: ‘Greg, isso é tudo muito bom! Mas responda uma pergunta; Se Eu te der o palco, o microfone, a multidão com milhares de pessoas, Meu Espírito e o Meu Poder, mas se Eu mudasse apenas uma coisa, se Eu colocasse outra pessoa no palco ministrando, você teria a mesma paixão?’ Greg disse que seu coração foi compungido; assim como o meu quando eu ouví este testemunho. Sei que está em mim o querer ser o centro, às vezes nós temos paixão pelo nosso papel nisso e não pelas vidas que estão sendo tocadas. Quando eu olho para a Igreja de hoje, não vejo o que versículo 11 expõe. A palavra chave nesse trecho é “Reciprocamente”. O consolo é de fato algo que deverá circular em nós, mas o consolador é o Espírito Santo, o penhor que Cristo nos deu para a esperança em algo eterno e não uma ambição que queremos atingir (Efésios 1:13-14/2 Coríntios 1:22, 5:5).

“Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam;”

Outra atrocidade que existe na tradição evangélica da igreja é a dispensabilidade das pessoas que fazem a obra, nós prezamos os que nos trazem lucros e desprezamos os que nos confrontam. Parte disso é fruto da inclusão de política no governo da igreja. Vemos nos livros de Timóteo, e nas cartas de Paulo, onde ele defende a sua autoridade apostólica, que funções no Reino não são cargos políticos, não podem ser manipuladas pela opinião da maioria. Vejo duas atitudes sincrônicas a líderes, atitudes que os coagem de maneira doentia e consomem a vida da liderança por dentro e por fora como um parasita invasivo e um feroz inseto, ou bactéria carnívora. A primeira Atitude é a manipulação egoísta. Pessoas ousam pensar que a liderança está ali para suprir os desejos religiosos dos membros, ameaçam evasão, fazem fofocas, convocam participantes aos seus ataques sutis que não são facilmente identificados, e quando o líder, pastor ou presbítero percebe o que está acontecendo não existe um ATO que pode ser especificamente tratado como pecado. Como podemos acusar atitudes? A segunda Atitude é a veneração ou indevida honra singularizando um líder ou presbítero como o tal escolhido para aquela igreja. Existem igrejas que chamam o pastor do anjo da igreja, erro drástico de interpretação de livros proféticos. É fácil ver como um pastor egocêntrico aceitaria esse título.

Um anjo? Super-humano? Acima de outros homens? Jesus era Super Humano, e acima de outros homens, ele não aceitou senão ser o servo dos seus discípulos, ele não valorizou a sua própria vida acima dos seus discípulos e de nós. Ele deixou sua glória e desconsiderou que Ele é igual a Deus, que Ele é Deus, e se deu. Enquanto isto homens sem noção desse coração de Cristo, se elevam e permitem que seus seguidores os elevem acima de outros, ao ponto de serem chamados de anjos. Devemos acatar “com apreço os que trabalham entre nós (não está falando de nenhum super-humano aqui) e os que presidem NO SENHOR (não em si) e vos admoestam”. Existe um equilíbrio nisso, são apreciados pelo esforço e pela dedicação em sua função, por outro lado, todos os irmãos devem receber este apreço. Os irmãos que limpam a cozinha depois das refeições de comunhão da congregação deveriam ser acatados com apreço, e o irmão que está recuperando de problemas e aparentemente não oferece coisa alguma, deve ser acatado com grande apreço. Em Efésios vemos que a vontade de Deus é que sejamos um corpo bem ajustado (Efésios 4:16 de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor). Veja a família. O pai é cabeça da casa. Será que ele é mais importante por isso? Em uma família saudável damos mais importância ao bebê que oferece menos do modo prático, que qualquer outro membro da família, sabemos que o que menos pode, mais precisa. Porque na igreja não agimos assim? A família de Cristo tem dado mais importância nos que mais podem e negligenciado os que mais precisam. Por toda a Bíblia vemos que Deus tem um coração amolecido pelos indefesos, os lesados, os injustiçados, o versículo 16 diz: “Exortamos-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos”. As bem aventuranças em Mateus 5 são evidências que Cristo dava mais importância nos recipientes das ações da obra do reino, do que nos que prestavam esta obra. Isto não vem dizer que Deus não dá galardão aos obreiros, Deus cuida bem dos que operam em sua vontade; Ele ordena nesse trecho que os acatemos com apreço. “e que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros”. Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos”. A rivalidade entre os irmãos da igreja nos dias de hoje podem se originar por muitas razões. Uma que eu vejo muito é a ambição, vemos um alvo na obra ou na igreja e ficamos frustrados uns com os outros quando alguém se posiciona em oposição ou em impedimento ao nosso alvo. Existem muitos outros motivos, todos se originando nos frutos da carne: Inveja, facção, ira, contenda... Quando permitimos que esse espírito, ou essa essência, invada a nossa comunhão, perdemos o “mesmo pensamento que houve em Jesus Cristo”. Deus não quer ambiciosos sujando o prato da comunhão. Se não observamos as nossas atitudes na obra acabamos nos tornando opostos ao que Deus quer que sejamos.

Se estamos procurando fazer a obra por nossa própria ambição, é melhor procurarmos uma entidade filantrópica que possa usar suas ambições para se gabar dos seus próprios feitos. A igreja é chamada para centralizar em Cristo e render glórias ao Senhor. Como nós vemos no início deste estudo, Jesus Deu a sua vida para que a nossa unidade possa mostrar ao mundo que de fato Jesus foi enviado pelo Pai. A unidade e comunhão são a única razão que Jesus ofereceu a sua vida. As contendas e a rivalidade na obra são um desprezo e ofensa ao sacrifício de Jesus e ao sangue que Ele derramou.

“Regozijai-vos sempre”.

Vejo também que perdemos a capacidade de simplesmente ser feliz. Neste momento, estamos na fase mais prazerosa na plantação de uma nova igreja. A igreja se reúne apenas em casas. Vários grupos se reúnem por toda a grande Belo Horizonte e Nova Lima, nos Domingos reunimos todos os grupos em uma casa, fazemos refeições juntos por volta das reuniões e os almoços e cafés da manhã são muito legais. Rimos muito juntos e contamos casos, piadas e testemunhamos da grandeza de Deus em nossas vidas. Jesus disse que o Seu Reino é Justiça Paz e alegria no Espírito Santo. Várias vezes em suas cartas Paulo lembra que devemos nos alegrar. Em uma citação dessas ele reforça sua urgência para esse fim com a repitida frase:
“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos. Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor. Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”
Filipenses 4:4-7

Porque precisamos ser lembrados a alegrar? Na verdade, é um constante conflito em nossos corações, agradarmos a carne ou andar em Espírito. O Espírito Santo nos dá alegria que nos atinge independente das presentes circunstâncias. A alegria da salvação vem com o entendimento dos valores eternos que são apresentados pelo evangelho. Em Salmos 51, Davi associou esta alegria à paz que temos em Deus com a santificação das nossas culpas: (versículos 10-12), “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário”. A culpa é uma das coisas que mais tira a nossa alegria. A alegria que Deus nos oferece é a que diz: “você não deve mais nada, não será cobrado mais nenhum ato, estas limpo, perfeitamente puro pelo meu sacrifício” Ser totalmente limpo, sem culpa alguma, é motivo de grande alegria. Sei que eu já falhei muito, o pensamento de que meus pecados são apagados da minha história é muito forte. Quando eu paro para indagar a profundidade disso, e quando o Espírito Santo me revela o valor desta purificação, eu não consigo conter minhas lágrimas. Alma livre! Sem dívida! Justo!

“Orai sem cessar”.
Quero fazer referência ao livro que meu pai escreveu chamado “pão de Lagrimas” Quando ele fala de orar sem cessar, ele descreve a oração como uma prática, uma disciplina que precisamos exercer. Orar em todo tempo não significa falar, e falar, e falar, todo o tempo. Jesus condena a repetição inútil que era praticada pelos fariseus. Pensavam que quando repetiam frases constantemente, Deus os ouvia. Deus conhece o coração, Ele sabe quando estamos “sintonizados” e expostos a Sua santidade. Orar sem cessar é estar em constante comunhão e consciência com Deus, comunicando cada questão, cada dificuldade, dando glórias por cada momento que passamos. Trazemos a presença de Deus para cada evento e eventualidade das nossas vidas. Ele se importa conosco e quer estar lá. Ele não quer que sejamos apenas uns pidões ou super-espirituais. Ele simplesmente quer fazer parte de cada momento das nossas vidas, para nos aprimorar e ser glorificado em nós.
“Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”.

É do nosso feitio aceitar e receber a glória de tudo que se destaca em nossas vidas. A vontade de Deus é de ser glórificado pelas maravilhas que Ele faz nos corações e nas vidas de pessoas improváveis. Se existe alguma grandeza de Deus em nós, é porque nós somos improváveis, mas uma boa música, uma pregação bem elaborada, um evento ou projeto bem sucedido, se torna uma ímã de aprovação e aplausos. Quero ver um cara tentar curar câncer sem a mão de Deus... Então de quem é a glória? Quero ver um cara converter milhares de vidas sem o Espírito Santo. Na verdade, não quero ver isto. Tem muita gente convencendo pessoas do evangelho, e não permitindo que o Espírito Santo os convença no profundo do coração. Por esta razão tem muitos que são convertidos à igreja, mas não ao Senhor. Como será possível? Às vezes pessoas precisam se sentir parte de algo, e a igreja é um “lugar” bom para isto. Um grupo crescente, com promessa de aceitação, com vocações que podem levar um indivíduo a viajar o mundo, ou então encontrar segurança em um local fixo... Este é um meio perfeito para satisfazer a carência de pertencer. O que precisamos é reconhecer o que Deus fez e está fazendo e agradecer a cada dia. Senão fosse por isso, Pedro seria um mero pescador, Paulo um soldado assassino enganado, muitos de nós seriamos traficantes, bêbados, piões, ou então empresários orgulhosos, e até pelos que eram socialmente bem sucedidos, todos seríamos perdidos devedores, condenados eternamente por não conseguir endireitar o que estragamos; Nossas Almas.

Salmos 145: 8-13
“Benigno e misericordioso é o SENHOR, tardio em irar-se e de grande clemência. O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras. Todas as tuas obras te renderão graças, SENHOR; e os teus santos te bendirão. Falarão da glória do teu reino e confessarão o teu poder, para que aos filhos dos homens se façam notórios os teus poderosos feitos e a glória da majestade do teu reino. O teu reino é o de todos os séculos, e o teu domínio subsiste por todas as gerações. O SENHOR é fiel em todas as suas palavras e santo em todas as suas obras”.

“Não apagueis o Espírito”.
Um problema bem sério que existe na igreja de hoje é a tendência de fazer duas coisas com o mover do Espírito Santo:

1 – alguns rejeitam o que Deus está fazendo porque é muito esquisito.
2 – alguns exageram e agem como se estivessem possessos. Vamos tratar dos dois individualmente.

Tratando do numero 1, caímos na intelectualidade e pensamos que se não houver uma explicação ou aplicação prática para o que está acontecendo, não pode ser de Deus. Também pensamos que se não houver uma precedência bíblica para o que está havendo deve ser uma invenção da pessoa. Deus é criativo, e muito inovador. Deus também não é um ser sem profundidade. O que Ele pensa e faz é além da noção do ser humano. Tentar alcançar alguma explicação intelectual para tudo que Ele faz é alegar que a sua mente poderia compreender qualquer coisa que provem de Deus. Temos que lembrar disso quando julgamos as pessoas que estão sendo ou não, tocados por Deus. Devemos ter discernimento para saber quando algo é de fato do Espírito Santo ou se é da cabeça de alguém. Também é bom lembrarmos que as pessoas se expressam de formas diferentes, e elas poderão reagir a algo que Deus está fazendo de modo peculiar. Isto não quer dizer que sempre é Deus fazendo que a pessoa se aja de forma estranha, e sim que aquela pessoa age assim quando está sendo profundamente comovida por algo. Todo ser humano tem um nível de impacto que lhe causa a agir de maneira descontrolada. Em julgar uma pessoa, no que diz respeito da legitimidade do que ela está fazendo, é julgar a profundidade do que Deus está agindo. É como decidir se alguém deveria chorar quando vê um filme, julgando o grau de emoção que aquela película nos causa. Você é um indivíduo, da maior parte insensibilizado em áreas diferentes de outras pessoas. Cada um sofre insensibilização de formas e graus diferentes. Se nossa sensibilidade estivesse intacta, desde a infância, seríamos muito mais chorões em filmes e outros eventos que nos impactam. Esse conceito se aplica em a maneira que somos afetados com o toque ou mover de Deus. Não podemos julgar as pessoas em suas expressões, Deus é grandioso e muito profundo.
Não é possível realmente experimentar algo Dele ou nos encontrar com Ele sem que sejamos comovidos de alguma forma. O quanto mais profundo o seu encontro, mais emocionante será; portanto algumas pessoas choram, gritam, gemem, dançam, caem ou simplesmente levantam as mãos para os céus como alguém que acabou de receber algo grandioso e não sabe agradecer. Devemos permitir e encorajar que as pessoas tenham seus momentos de emoções diante de Deus.

Por outro lado, Existem pessoas que estão atrás de um bom passatempo ou de um escape que o deixe saciado emocionalmente e espiritualmente. Deus não é uma droga que usamos quando precisamos dar um jeito na vida. Apesar de que, muitos evangelizam dizendo que é assim. Ele realmente quer nos alcançar em todas as áreas de necessidade, mas existem algumas coisas que não devem ser motivo de busca.

Existem pessoas que não estão na igreja porque querem o Senhor, e sim porque nesse meio onde as pessoas têm vivido uma sociedade aglomeratíva, se encontra vários benefícios:
• Sensação de pertencer.
• Aceitação (mesmo que esta aceitação seja seletiva ou condicional)
• Misticismo “justificado” (Querem apenas adrenalina com experiências sobrenaturais)
• Alívio de culpas
• Ambições (já ouviu pessoas brincar com a frase “pequenas igrejas, grandes negócios)
O maior cúmplice desta patologia na igreja é a pregação errada do evangelho. Usamos a nossa nova liberdade com estilos de músicas para dizer aos jovens “vem à igreja, nós temos boa música” ou “Deus tem um propósito em sua vida” ou “Deus quer preencher um vazio em você”. Por mais que estas frases sejam verdadeiras, não é o evangelho. Qualquer outro motivo de vir à igreja, que não seja Jesus Cristo e o seu Reino, irá trazer pessoas convertidas aos frutos do evangelho e não ao evangelho em si. Isto, por sua vez, causa que a igreja tenha mais e mais pessoas que não compreendem o “fio da meada” do evangelho. Não conhecem os direitos e deveres de um cidadão do Reino. Conhecem apenas a viajem que embarcaram e o evangelho se torna apenas um meio para que continuem a aprofundar em suas indulgências, e buscas pessoais. Ficamos tão desesperados para ver convertidos que filosofamos e tentamos convencer as pessoas a entrar na igreja por todo motivo, menos o único motivo que devemos buscar a Deus: para ter vida nova em Jesus. Não confiamos mais no poder do evangelho, precisamos de uma boa música, ou um angulo para atingir às deficiências das pessoas, para convencê-las que o nosso caminho é melhor.

Isto é a causa pela qual muitos em nossos cultos estão fabricando sentimentos e expressões. Alguns estão querendo apenas pertencer, e é assim que as pessoas passam a pensar que são espirituais, ou que sejam benção. Outros estão buscando profundamente por uma experiência sobrenatural, e não um relacionamento. Acreditam em Deus e no Seu poder, mas não querem viver para Deus, querem um show de mágica. Isto é muito comum nos países latinos, porque têm uma precedência bem envolvida no misticismo (está embutido na cultura). Um estudo que eu fiz um bom tempo atrás lidava com as atitudes de certo homem chamado Simão, que queria comprar o poder do Espírito Santo (Atos 8). Antes disso ele já operava truques e a bíblia diz que ele havia convencido às pessoas que ele vinha da parte de Deus. As pessoas o seguiam por fascinar com os truques e aparente misticismo. A Bíblia deixa bem claro que muitos seguiam Jesus apenas porque Ele havia multiplicado os pães, e pelos milagres. Tanto que muitos destes estavam diante do Pôncius Pilátus gritando “Crucifica-o” Por quê? Creio que estes estavam decepcionados que Jesus queria algo além de simplesmente derrubar o reino dos romanos e estabelecer um novo mundo de truques constantes que mantiam a fome de pão e de sensacionalismo do povo. Os sinais são apenas para realçar a pregação do evangelho (Um novo reino chegou, onde o povo vive sustentado pelo Rei) e não um espetáculo de adrenalina e fascinação. Quem permaneceu com Jesus foram aqueles que entenderam o relacionamento e o amor do Reino, expressados no rosto e nos atos de Jesus. Os que se entreteram com Jesus o abandonaram ao ouvir frases como “Quem comer a minha carne, ou beber o meu sangue, tem vida eterna”
João 6: 54-69:

“Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que vive me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá. Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente. Estas coisas disse Jesus, quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum. Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza? Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair. E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido. À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus”.

Os discípulos que seguiam a Jesus, o fizeram porque sabiam que Ele tinha a palavra da vida. Todos que tiveram intenções pessoais com Jesus, ou segundas intenções, o abandonaram. E é isso que as pessoas farão hoje. Abandonarão a Jesus porque as chamamos para serem saciadas com as coisas erradas. O pior é que mesmo após abandonar a Jesus, muitos permanecem na “igreja” e continuam a buscar seus próprios interesses e ambições ali mesmo. E porque não? Está tudo ali, um povo carente... Vulnerável, místico, dizimista e muitos estão dispostos a pagar qualquer preço para manter aquela estrutura. É um lugar perfeito para procurar propósito, porque se falamos a linguagem certa, somos aceitos e passamos por ovelha facilmente. Não se iluda, é extremamente fácil ser “benção na igreja evangélica”. É só observar bem qual comportamento público é louvado, e qual comportamento é abominado pelos “fiéis”. E uma ou duas vezes por semana, quando estão todos reunidos, aja assim! Não importa o que se faz nos intervalos. Também devemos nos preocupar quando as pessoas agem como se estivessem sem controle do que estão fazendo. O Espírito Santo não possui uma pessoa como fazem os demônios. Ele é doce e sempre vem para trazer cura, consolo e edificação; Ele Nos instrui; Lembra-nos o que Jesus nos ensinou; Traz reconciliação dos nossos corações ao Senhor e à Sua igreja. Podemos ver o propósito do Espírito Santo quando lemos a promessa de Jesus em João, capítulos 14-16.

João 14: 15-17: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”. Versículo 26: “mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”.

João 15:26 “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;”

João 16:7-9 “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim;”

Versículos 13-15 Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”.

“Não apagueis o Espírito” é comando para os líderes e para os irmãos.

Para os líderes: não impeça ao Espírito de alcançar as pessoas em todos os níveis; Não interrompa quando vemos que Deus está fazendo algo. Mesmo que tenhamos que mudar o plano para a reunião. Devemos permitir que os irmãos pratiquem os dons que Deus os deu, policiando apenas o conteúdo para preservar a integridade da palavra sendo ensinada. Não devemos policiar no sentido de achar que os que não são líderes ou pastores não podem exercer dons. (1Coríntios 12).

Aos irmãos: Não façam escândalos; se é possível ter a sua experiência sem impedir que outros continuem com o que Deus está fazendo neles, vá em frente. Mas às vezes a sua expressão de liberdade está apagando o Espírito em outro irmão. Quando a sua expressão é legítima, você terá o controle e a consciência dos irmãos ao seu redor e não chamará toda a atenção para si; principalmente porque queremos mesmo que Deus seja o centro e o destaque das nossas reuniões. Quando eu vejo 10 irmãos parados, olhando para um irmão, que está rodopiando e gritando, eu costumo pegar o querido irmão pelo braço e o informá-lo: “maninho, isto não é Deus, é você mesmo, e Deus foi interrompido. Dá para acalmar um pouco?” A seguinte frase poderá ser útil para compreender como destinguir a diferença entre esses momentos: “O Espírito traz Liberdade, mas o nosso amor excede a nossa liberdade”. Ou seja, nós nos policiamos, não porque está errado ser livre em nossas expressões, e sim porque queremos ser sensível ao que Deus está fazendo na vida dos outros queridos em nossa volta. Em alguns casos raros, algumas pessoas não puderam controlar. Mas nesses momentos Deus sabe o que está fazendo, e se de fato for Deus, todos serão edificados, e não impedidos.

“Não desprezeis as profecias”
Já tive problemas por causa deste mandamento. Novamente existe um equilíbrio para observar essa ordem. Já vi pessoas usarem essa ordem bíblica para dizer que elas devem ser ouvidas com temor, e obedecidas. Dou graças a Deus que essa não é a única observação feita sobre a profecia. Primeiramente vamos esclarecer que nem sempre quem profetiza é profeta. Profeta é um dos ofícios do governa da igreja. Nem todos estão, ou mesmo estarão no governo. Mas Paulo disse que é bom que todos profetizem!!! “Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados.Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas; porque Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos” Essa passagem refere aos que profetizam como profetas, e devemos entender o que significa isto. Existe o Ofício do Profeta, e o Dom Profético. A única diferença é que um é reconhecido perante a igreja e pelos líderes como parte do governo da igreja (jamais auto-estabelecido) Este também seria um presbítero (ou pastor da igreja).

O Washington Serralvo (Um dos Pastores e companheiro meu na AIR) e eu tivemos uma experiência muito difícil com uma congregaçãozinha que foi destruída porque as pessoas não entendiam a diferença entre presbítero com o Ofício, reconhecido apropriadamente, e alguém com um dom (Quero lembrar que as diferenças são meramente de função, jamais eu diria que alguém é mais importante ou superior por ser um presbítero ou profeta de ofício – apenas existe uma diferença na autoridade que entoa um e outro). Uma mulher nesta congregação teria no caso o dom da profecia (e eu acredito que tenha mesmo este dom). E muitas vezes Deus dava uma palavra para ela e muitas vezes Deus mesmo confirmou a sua palavra. Uma vez ela disse que Deus deu uma palavra para ela e nós julgamos a profecia, chegando à conclusão que não era de Deus. No caso era algo que nos levaria a tomar alguma providência.
Nós decidimos não fazer o que ela disse. De início, já enxergávamos alguns princípios quebrados no cumprimento da palavra que a mulher havia dado e rejeitamos como não sendo uma palavra vindo de Deus. Então ela mandou uma carta para nós dizendo que até uma certa data, eu, o Washington e um outro participante na história, morreríamos por termos ignorado a palavra de Deus. É claro que muitos anos depois da data prevista pela mulher, estávamos bem vivos (mais do que nunca). Mas qual seria a confusão desta mulher? Dois fatores precisam ser notados aqui:

1. A referência que a maioria dos irmãos tem de profetas e profecias hoje é do Antigo Testamento. É no Antigo Testamento que se vê os livros dos profetas. Os eventos destes livros são bem notórios. Devemos sempre levar em consideração que os profetas do antigo testamento eram também JUIZES. Além de ter a profecia, tinham a autoridade de enfrentar Reis e Governantes. Hoje o profeta não tem essa autoridade. Não porque mudou o que é ser profeta, e sim porque hoje não existem mais juizes no Reino, a não ser Jesus!
2. A profecia não pertence aos homens. Pertence a Deus. Nós não somos responsáveis para fazer que pessoas cumpram profecias, se de fato uma profecia vem de Deus, Ele sempre cumpre a Sua palavra. Judson sempre diz: “Nós somos apenas canais do óleo, se somos canos sujos, o óleo chega ao povo contaminado” Temos sempre que levar a nossa falibilidade em consideração quando estamos lidando com a profecia. Quando Alguém tiver uma profecia, deve-se entender esses fatores; Somos falhos e nosso coração nos engana, e não somos juizes. Cristo é o juiz e Ele repassa o seu julgamento pelo discernimento do corpo.

Mais uma vez, vemos aquela questão da filosofia popular. As pessoas falam “segue seu coração”. Dentro da igreja abraçaram esse pensamento e isto é visto na seguinte expressão bastante usada: “Senti de Deus”. Apesar de que às vezes Deus usa nossos sentimentos para confirmar algumas coisas, eu tenho muita dificuldade com esta frase, porque na maior parte do tempo os nossos sentimentos estão longe de Deus e do que ele quer. Eu sinto vontade de mentir, de omitir, agredir, de praticar lascívia... etc.

Então qual meio tenho eu para saber que aquilo que eu estou sentindo é de fato algo profético, ou seja, algo do coração de Deus? Toda profecia pertence a Deus e poderá ser confirmada na palavra de Deus. Ela á dada ao povo e o povo deve conferir na palavra de Deus, quanto a veracidade da profecia. Quando Paulo pregava o evangelho em Beréia, Lucas (o autor do livro de Atos) disse o seguinte: “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim”. Atos 17:11. Quando entregamos uma profecia, se o nosso coração está correto, ficaremos contentes ao vermos os irmãos julgando a palavra que entregamos. “Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem”. 1 Coríntios 14:29

Essa passagem diz que os outros devem julgar a palavra sendo entregue. Hoje em dia os chamado “profetas” tem falado e ficam bravos quando outros os corrigem. O ego fica bem em segundo plano nessa situação. Creio que não devemos defender as palavras que Deus nos dá. Se de fato são Dele, Ele irá cumprir. A palavra “AMÉM” popularmente traduzido como assim seja, na verdade tem um significado mais profundo que nos ajuda a confiar mais em Deus e no cumprimento de sua palavra, e preocuar menos a respeito de estarmos certos ou errados. Na verdade a palavra “AMEM” é uma sigla que junta as seguintes quatro palavras: Deus – Fiel – Cumprir – Promessa. Isso quer dizer que Deus é fiel para cumprir o que ELE promete. Dizer “AMEM” é uma forma de lembrar e concordadr que tudo aquilo que vem de Deus virá a se cumprir. Vejo como isto poderia significar a popular concordancia “Assim Seja” desde que se refere a algo que de fato Deus ordenou. Mas por outro lado, se estivermos profetizando algo que não vem do coração de Deus, dizer “AMEM” é como dizer “Deus é fiel para cumprir as SUAS promessas, e não as nossas”. Por amor a igreja, devemos sempre estar prontos para admitir a nossa falibilidade e os nossos erros. Hoje não se ouve muito “eu ouvi errado”. Vejo muitos irmãozinhos passando por cima de autoridade por que não querem esperar que Deus cumpra as suas promessas. Isso é o primeiro sinal de que um indivíduo não está na dependência de Deus e sim, está traçando seu próprio rumo. Não devemos despresar as profecias, mas devemos julgá-las, juntos, pelo amor e pela proteção da igreja. “julgai todas as coisas, retende o que é bom;”

Uma vez, e estava traduzindo um material do Pr. Scott Persley, para a AIR, e fiquei pensativo com uma frase que ele escreveu. Era assim: “Na verdade, é totalmente necessário para a vida da igreja que façamos julgamentos” E aquela questão de “não julgueis para não serdes julgados”? O que Ele quer dizer aqui? Será que o Scott está doido? Quando fala de “não julgar”, está se referente ao ponto que o Paulo se referiu quando ele disse: “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor”. 2 Timóteo 2:19

Está escrito isto, e várias outras passagens que nos levam a acreditar que Deus é o único que pode julgar por ser o que conhece a todo em seu íntimo. Gostamos de acreditar isto porque esquecemos que Deus é mais terrivel que os homens. Se regressarmos ao início do 1 Timóteo para ler todas as instruções que Paulo dá ao Timóteo, veremos que existe na maturidade cristã um entendimento. Quando eu digo “maturidade” eu digo a maturidade em Cristo, ou seja, conformidade ao caráter de Cristo. Então entenderíamos que existem momentos que devemos rejeitar pessoas. Existe uma rejeição que é necessária para o bem da igreja e preservação dos santos, e para o bem do próprio indivíduo. O fator determinante dessa rejeição deve ser a palavra de Deus, e deve ser ministrada por pessoas em autoridade, e obedecida pela igreja.

Julgar é importante para o crescimento do corpo, devemos abraçar as críticas e julgamentos como oportunidade de sermos aprimorados. O julgamento que não poderá ser feito por discriminação, e sim pela evidência da presença ou falta do caráter de Cristo. Devemos lembrar que isto é apenas um dos fatores da vida da igreja. Não devemos passar nosso tempo tentando decifrar os irmãos. Os momentos de julgamento são reconhecidos quando a saúde da igreja está em questão.
Por outro lado devemos ter a misericórdia de Cristo em mente durante todo o processo. Nós somos alvos da misericórdia do Senhor, e devemos ser também ministros desta misericórdia.

Existem duas formas de julgar, uma sendo errada e a outra sendo parte integrada e necessária para a sociedade. AQUI

A forma errada é quando julgamos coisas que não são evidentes. Não devemos julgar intenções ou áreas da vida de uma pessoa que não tem possibilidade de vermos e sabermos, nem pelas evidências. É claro que uma liderança necessita exercer discernimento, e deve ser confirmado por outro líder, ou líderes, que veem e compartilham do mesmo discernimento, mas em geral fica difícil uma pessoa desfazer da índule ou das intenções de outra pessoa sem que haja manifestação em seus atos.
A outra forma de julgar, que é necessária, é a forma que precisamos para poder obedecer as ordens bíblicas quanto a escolher o tipo de companhia que devemos aceitar. A palavra nos ordena que não devemos sentar a mesa e nem receber em nossa casa, pessoas que distorcem o evangelho. Salmos começa bendizendo os que não andam segundo os conselhos dos ímpios e nem assentam na roda dos escarnecedores e não se detem no caminho dos pecadores.

No Novo Testamento, Paulo alerta a igreja contra pessoas que causam contendas e pessoas que disceminam facções na igreja. Para acessar quem são estas pessoas, é lógico que será necessário que haja um julgamento de caráter. Isto não é para acusação, e sim para a preservação da integridade do caráter e do amor de Cristo em meio a igreja. Devemos abster de conviver com pessoas de quem os seus atos são evidentemente danificadores à igreja.

Assim também devemos julgar a essência que está em nossa comunhão, nas profecias, nas canções, nas pregações e em tudo que é lançado na igreja com intenção de instruí-la. Se não fazemos esse julgamento, passaríamos a comprometer a mensagem e a verdade do evangelho sendo abraçado por cada indivíduo.

Lembremos que a Palavra de Deus deve ser sempre a medida pela qual julgamos, tendo em mente o amor de Cristo. Devemos estar sempre procurando a preservação dos santos e da preservação e integridade da doutrina dos apóstolos. Devemos assim julgar todas as coisas e devemos guardar o que é bom.

“abstende-vos de toda forma de mal”.
Ao longo dos anos, em meio a igreja, podemos enxergar uma condição que é acrescentada sutilmente, as pessoas estão secularizando cada vez mais a vida cotidiana. A fofoca é uma das coisas que está na igreja há anos e parece que não sabem combater. Os jovens estão jogando jogos que estão cada vez mais violentos e verbalmente podres. As famílias assistem muitas novelas. As músicas seculares que eu já ouvi nos aparelhos de mp3 dos jovens evangélicos são terríveis. Se vê muita lascívia e prostituição em meio a igreja. Não é comum, nem na igreja, um casal de namorados se casarem sem antes ter se envolvido sexualmente. Os casais evangélicos estão cada vez mais inclinados ao divórcio. O que era considerado palavrão antigamente, hoje não é mais. O nível de nudez aceito pelos pais tem aumentado. Dentro das estruturas evangélicas, tem se reconhecido a mesma agressividade de cargos e ambições que se vê em uma empresa. Muitos mentem mais do que antes, trapaçam, vemos muitas pessoas inventando fatos para poder impor condições sobre os seus liderados.

Na restauração dos fundamentos na vida da igreja, teremos que ver pessoas voltando às raízes do caráter de Cristo e conhecer a simplicidade no amor e sinceridade do evangelho. Não conheceremos vida no corpo se permitimos que as doenças que o corromperam permanecem em nosso meio. Devemos estar procurando ativamente pelos sinais destas doenças em nossas vidas, para podermos nos avaliar e acrescentar ao corpo, pela santidade de Jesus Cristo. Não é possível fazermos isto por apenas querer. Através de sua confissão e declaração de imperfeição, Paulo nos mostra que a inclinação do ser humano será sempre para a corrupção do evangelho.

Romanos 7:18-25
“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço.Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.Acho, então, esta lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus.Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas, com a carne, à lei do pecado”.
Em Filipenses 4 Paulo dá uma forma de podermos guardar a simplicidade e pureza do evangelho.

Filipenses 4:4-9
“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco”.
A secularização do evangelho era algo que ameaçava os irmãos desde o princípio. O capítulo 4 de Efésios já nos mostra que havia a necessidade de instruir o povo e os preparar para se proteger disso. O Versículo 19 descreve o que significa “Palavra Torpe” dizendo o que deveria ser falado unicamente o que for considerado edificante para o momento e que produza graça aos que ouvem. Vejamos Efésios 4:17-32
17 Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos,18 obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração,19 os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza.20 Mas não foi assim que aprendestes a Cristo,21 se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus,22 no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano,23 e vos renoveis no espírito do vosso entendimento,24 e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.25 Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.26 Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira,27 nem deis lugar ao diabo.28 Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado.29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.30 E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.31 Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia.32 Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Existem coisas que parecem ser óbvias para nós quando realmente queremos seguir a vontade de Cristo para a Igreja, nem deveria ser necessário sermos lembrados a não brigar e entrar em contendas, a não sermos amargos, ou ter malícia. Estas são coisas que são claramente opostas ao caráter de Cristo. Sabemos destingüir a diferença entre malícia e impureza com a pureza e benignidade, mas no nosso dia a dia, passamos a justificar esses pecados, os desfarçando com atos sutis que são dificilmente detectados, mas quando florescem em meio a congregação acabam trazendo muitos problemas na funcionalidade e vida do corpo.
“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Esse último versículo completa todas as palavras escritas no restante do texto. Devemos viver cada momento das nossas vidas pensando na vinda de Jesus. Se em tudo, comparamos os nossos atos com a essência do nosso encontro com Jesus, seremos um pouco mais realistas quanto ao pecado, pois sabemos que no momento de encontrarmos com Jesus, ele não precisará de nenhuma explicação. Toda a essência dos nosso atos serão presentes naquele encontro, e nosso pecado será revelado, se nós não submetermos a nossa fraqueza ao Senhor e a sua misericórdia hoje. Eu não quero ter que resolver coisa alguma com Jesus no momento em que eu me encontro com Ele. Quero apenas ouvir a Sua alegria na essência da minha vida e da comunhão entre eu e meus irmãos.

Por isto, quero ser santificado pelo Deus da Paz, em tudo; Quero ser conservado integro em toda essência para aquele momento. Quando olhamos bem, viver o Reino não tem o mínimo haver com os prédios e reuniões. Tem muito haver com a vida entre os irmãos, e com a maneira como permitimos que sejamos corrigidos e aprimorados, uns pelos outros e por Deus. A nossa comunhão, e a nossa vida cotidiana em unidade é o que irá nos preservar nesta integridade. Quero terminar mais uma vez, fazendo referência ao estudo que será encontrado junto a este, sobre lavar os pés.
Veja bem esses aspectos e tome muito cuidade para que as pregações de hoje, e os costumes e a tradição evangélica de hoje, não sejam permitidos a continuar a cegar o povo das coisas que realmente são vitais para o corpo de Jesus.

Muita paz em Jesus!

James Padley

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